14/08/2017

Dia Internacional da Juventude: O Papel d@s jovens na Construção da Paz

Escrito por Vinicius Saldanha, secretário de Administrração e Finanças do SinPsi e coordenador do Comitê Nacional de Jovens da ISP Brasil

Em 12 de agosto, a partir de resolução da Assembleia Geral da ONU de 1999, é celebrado o Dia Internacional da Juventude, data importante para promover a reflexão e dar visibilidade às demandas e às lutas d@s jovens trabalhador@s, promovendo o protagonismo juvenil frente à construção de um mundo mais justo e igualitário.

O crescente tensionamento na geopolítica mundial, que fomenta um conflito bélico em escala global, o clima de intolerância em muitos países da Europa frente aos processos migratórios, às marchas racistas e xenófobas vistas neste fim de semana em Charlottesville, EUA, o imperialismo que articula o ataque à democracia, o discurso de ódio e a violência, do Oriente Médio, da África à América Latina, são alguns aspectos da nossa contemporaneidade que evidenciam a suma importância do tema deste ano: Juventude Construindo a Paz.

A "paz" é um conceito em permanente disputa, utilizado com fins bastante diversos. Não raramente, é utilizada para justificar mais injustiças e opressões, sendo propagandeada como o estado ideal de apologia da ordem vigente, com aceitação romântica das desigualdades e negação, por vezes cínica, das causas dos inevitáveis conflitos, atribuindo à questão uma pretensa resolutividade da esfera moral.

À juventude sindical, na permanente luta parceira com a juventude dos movimentos sociais progressistas, cabe a inserção nesse debate, construindo junto à sociedade um ideal de paz que passe pelo enfrentamento das desigualdades estruturais, que pressuponha a igualdade de gênero e de raça, o respeito à diversidade, ao meio ambiente, a garantia de direitos trabalhistas ao invés da super exploração do trabalho, o direito à terra, à laicidade, à participação política.

Se lutar por esses ideais é algo que cabe a todos os militantes dos diversos movimentos do campo progressista, à juventude essa tarefa é de destacada importância, dada sua capacidade ímpar de produzir inquietações e construir utopias, sonhar e almejar um horizonte substancialmente melhor do que temos hoje, já que, como considerava Che Guevara, "ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética". Não à toa, o aparato repressivo comandado por aqueles que visam manter essa ordem socialmente injusta se volta, sobretudo, contra a juventude, como mostram no Brasil os altos índices de assassinato e a cotidiana intimidação contra a juventude negra e periférica, assim como a repressão violenta contra o movimento estudantil nas ocupações contra os desmontes na Educação ocorridas nos últimos anos.

Hoje, os ataques do governo golpista recaem contra conquistas que a juventude brasileira obteve na última década, seja por meio do desmonte das políticas que levaram à ampliação do acesso ao ensino técnico e superior, seja pelo aparelhamento de importantes espaços de debate e protagonismo dos jovens trabalhadores (como a Secretaria Nacional da Juventude e o CONJUVE, Conselho Nacional da Juventude). Ou ainda pelo total descaso frente à necessidade de implantação dos princípios do Estatuto da Juventude.

Esses ataques demonstram que, para além de buscar atender aos interesses mais imediatos do capital financeiro, também há o objetivo de desconstruir a capacidade de sonhar, desmontando um projeto de País que guarda íntima relação com os sonhos da primeira geração de crianças e adolescentes brasileiros que cresceram sem fome, que tiveram acesso a bens de consumo e a direitos sociais historicamente negados, que acessaram o ensino superior conquistando, muitas vezes, o primeiro diploma de suas famílias.

A juventude ocupa lugar central no debate sobre o país e sobre o mundo que queremos. E está aí para mostrar que, como dizia Emiliano Zapata, "se não há justiça para o povo, que não haja paz para o governo".

A paz, de fato, não se constrói nem com violência nem com conformismo, mas com muita luta!