16/10/2015

Fundação CASA, de ponta-cabeça, confunde atividade de psicólogas (os) com a de agentes

Escrito por diretoria SinPsi

Na contramão de todo o trabalho proposto por movimentos sociais, entidades nacionais e internacionais, educadores, psicólogas (os) e especialistas em reeducação de adolescentes, a presidente da Fundação CASA mostra o porquê de a instituição estar de ponta-cabeça, uma vez que inverte os valores e as concepções de atuação de seu quadro de trabalhadores.

Berenice Giannella se equivoca, e muito, em afirmar que professores e psicólogas (os) são responsáveis, além dos agentes, pela segurança das unidades, conforme publicado na edição desta quinta-feira, 15 de outubro, no jornal Folha de S.Paulo.

Ora, o cargo máximo de uma entidade socioeducativa, voltada ao adolescente em conflito com a Lei, deveria primar justamente pelo contrário. Em vez de sugerir que todos façam as vezes de agentes de segurança, seria louvável que cultivasse a cultura da reeducação, chamando os agentes de segurança ao acolhimento, para garantir a dita ordem dentro da Fundação CASA.

Cabe, assim, esclarecer aos leitores do jornal Folha de SP e à sociedade que a Psicologia, em sua diversidade, extensão e amplitude, como ciência e profissão, tem importante papel nos centros de internação da Fundação CASA. A (o) psicóloga (o) atua nos processos socioeducativos para a integração social do adolescente em conflito com a Lei, que cumpre medida de internação com a garantia de direitos individuais e sociais, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE), Diretrizes e Resolução dos conselhos Regional e Federal de Psicologia, e também conforme a própria atribuição do cargo na Fundação CASA.

Nesse contexto, a Psicologia atua com equipes multiprofissionais, multidisciplinares e interdisciplinares, bem como com o adolescente, seus pares familiares e a rede de apoio socioassistencial.

Os centros de internação da Fundação CASA são regulados por normas e regras de conduta, com aplicação de medidas sancionatórias, onde o saber da Psicologia não perpassa por atividades relacionadas à segurança da instituição. A atuação da (o) psicóloga (o) na Fundação CASA ganha dimensão diferenciada e humanizada, baseada na ética profissional, na relação de presença, acolhimento, intervenção e vinculação com os adolescentes atendidos, por meio do diálogo e mediação de conflitos.

Para além de fazer relatórios, avaliações e pareceres que subsidiam o poder judiciário em suas decisões, a (o) psicóloga (o), na Fundação CASA, estabelece junto ao adolescente atendido uma relação de confiança, focada no resgate da autoestima, da sensibilidade, da percepção do outro e também na corresponsabilidade pelos atos infracionais cometidos. Sendo assim, vale ressaltar, o profissional de Psicologia promove um diferencial na vida do adolescente, proporcionando-lhe condições de aprendizado, reparações, superações e de aquisição de novas habilidades internas e externas, para o retorno ao convívio em sociedade.

Psicólogas e psicólogos não estão dentro da Fundação CASA para garantir a segurança! Estão lá para reeducarem jovens brasileiros desprovidos de referência de valores de sociabilidade. E seria muito apropriado que todos os trabalhadores e trabalhadoras fossem constantemente capacitados pela presidência da instituição a participar do trabalho multidisciplinar, colaborando assim para resultados positivos no trabalho com os jovens inseridos nas medidas socioeducativas. Afinal, essa seria a lógica para uma instituição com orçamento de cerca de R$ 1,28 bilhão, conforme dados do Ministério Público.